Apesar de reivindicações heterogêneas, os protestos ocorridos
ontem (17) em várias cidades brasileiras deram alguns recados claros à classe
política e ao Poder Público, na avaliação do cientista político da Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Ricardo Ismael. Para ele,
entre os pontos de convergência em meio a vozes dissonantes estão a questão do
transporte público nas regiões metropolitanas, apontado como estopim das
mobilizações, a defesa do direito de protestar e a reivindicação por aumento dos
investimentos sociais.
"A faísca dos protestos não pode ser esquecida: a população não quer o
aumento das passagens para um meio de transporte com tarifas caras, qualidade
insuficiente e que leva muito tempo para levar e trazer as pessoas, os
trabalhadores. Este é um problema real e objetivo e as prefeituras têm que dar
mais atenção a ele", disse, acrescentando que a repressão policial na semana
passada incentivou pessoas que, até então, não estavam integradas à manifestação
irem às ruas.
Embora as prefeituras sejam responsáveis por autorizar o reajuste das tarifas
de ônibus, o especialista avalia que os movimentos têm reivindicações também
para outras esferas de governo. "As ruas estão dizendo aos três níveis
federativos que os governos não devem fazer restrições orçamentárias, como
ajuste fiscal e superávit, em detrimento dos investimentos sociais, como em
educação e saúde", disse.
Para o cientista político, ainda é cedo para avaliar os desdobramentos
políticos dos atos, mas acredita que eles evidenciam o desejo de mudanças no
rumo da política nacional, "com um sistema político-partidário que consiga
reagir de forma mais atenta às demandas sociais".
Os protestos tiveram origem com a mobilização principalmente de estudantes
após o anúncio do aumento nas tarifas de transporte público. Eles se organizaram
por meio de redes sociais, o que contribuiu para que as manifestações ganhassem
caráter nacional, ocorrendo em diversas cidades.
Autoridades argumentam que a existência de motivações variadas e a falta de
liderança entre os participantes dificulta o processo de negociação. O ministro
da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, alertou hoje
(18) que os representantes do Poder Público precisam estar atentos às novas formas de manifestação popular.
Por Thais Leitão
Repórter da Agência Brasil
Repórter da Agência Brasil
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